O samba da Tuiuti e o embargo a Cuba

O samba da Tuiuti tem letra e significado fortíssimos.

Vale a pena baixar o caderno da Liesa e aprender mais sobre o enredo.

Trata-se da história do lonã (caminho) de uma corrente religiosa iorubá, chamada ifá, desde África, até Cuba, através dos negros escravizados, e de Cuba até o Brasil, a partir dos anos 1990.

É em Cuba que o povo desse culto mostrou fibra e resistência se revoltando e lutando contra a opressão da colonização e da escravidão.

Na província de Matanzas, bem próxima (“nas barbas”) de Havana, a escrava Carlota Lucumí liderou a Insurreição do Engenho Triunvirato (nos anos 1840), que incendiou fazendas, matou colonos e libertou centenas de escravos.

No samba, essa guerra é conduzida por Eleguá, espécie de Exú, que, através do orunmilá (oráculo), vai dando as ordens de queimar os canaviais e quebrar as moendas:

Eleguá

é o dono do poder

Moenda não pode mais moer

põe fogo na cana

Eleguá

Tem mandinga e dendê

hoje o coro vai comer

nas barbas de Havana

A bravura dos lucumís, como eram chamados os iorubás levados para a ilha, certamente faz lembrar a bravura dos guerrilheiros do Movimento 26 de Julho que derrotaram a ditadura de Fulgencio Batista, em 1959. A ilha deixava de ser escrava do governo dos Estados Unidos, que monopolizava as empresas, e da máfia ítalo-americana que explorava cassinos, hotéis e bordéis.

É ainda a bravura dos lucumís que ecoa na Operação Carlota (1975-1990), missão militar cubana que atravessou o Atlântico para lutar pela consolidação da independência de Angola. As derrotas impostas aos exércitos da África do Sul, abriram caminho para o fim do apartheid, como Nelson Mandela depois reconheceu.

Hoje Cuba vive um dos momentos mais dramáticos de sua história. Os Estados Unidos estão isolando totalmente a ilha: como se já não bastassem as sanções econômicas, agora estão impedindo o abastecimento de combustíveis e assim afetando todo o funcionamento do país. Praticamente todos os serviços, de trens a universidades, estão operando com horários reduzidos, os apagões que costumam durar mais de 10 horas são uma realidade diária, e assim uma crise sanitária se aproxima. Muitos têm comparado a situação atual de Cuba a de Gaza, por causa dessa asfixia brutal.

A solidariedade de Cuba a Angola e a muitos outros países foi retribuída por um tempo. Primeiro pela União Soviética, depois pela Venezuela. Com Maduro sequestrado, a pouca ajuda já não existe mais. Quando Claudia Scheinbaum, presidenta do México, fez que ia ajudar, foi logo ameaçada pelos Estados Unidos. O Brasil não dá um pio, mas sabe sambar!

E os cubanos estão lá, com a força herdada dos lucumís, resistindo como podem, já sem muitas armas.

Como será daqui pra frente o LONÃ (caminho) da gloriosa revolução cubana, apenas o oráculo de IFÁ poderá dizer…

 

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