Faleceu no dia 4 de julho de 2019 Sadi Gitz, empresário do ramo da cerâmica em Sergipe há mais de 30 anos. A Escurial estava com dificuldades financeiras por conta do preço do gás praticado pelo Estado. A Sergas era dividida entre o Estado, a Gaspetro (Petrobras) e a Mitsui, sendo que a Mitsui também tinha 49% da Gaspetro, chegando a 80% do controle e, segundo Gitz, praticava preços bastante abusivos, quebrando várias outras empresas. Isso acontecia durante o suposto “monopólio” da Petrobrás. O evento em que faleceu Sadi Gitz era para promover a nova política do gás brasileira, capitaneada por Paulo Guedes, no Estado de Sergipe – ele que fez promessas logo no início do governo de baixar o preço do gás caso se abrisse o mercado. Guedes é acionista de diversas empresas e fundos como sabemos. A Bozano Investimentos, por exemplo, tem fortes interesses no mercado de gás. O empresário insurgiu após fala do governador de Sergipe, Belivaldo Chagas, chamando-o de mentiroso e, em “grave falha de segurança” (conforme comentário de Carlos Bolsonaro sobre o fato), sacou um revólver e se matou. Dois dias depois, por decreto, o Estado do Sergipe baixa o preço do gás. Três dias depois, o CADE valida acordo de abertura do mercado do gás, por meio do qual a Petrobras se compromete a alienar as ações da Gaspetro nas distribuidoras, ficando suspensas investigações sobre práticas anticompetitivas da estatal no setor.
Agora, lembrando do prólogo do filme Magnólia, poderíamos nos perguntar: suicídio ou homicídio?
Quando estávamos tão alarmados com a futura epidemia de suicídio dos velhinhos após os impactos da reforma da previdência, somos surpreendidos – como infelizmente tem de ser – por um suicídio real, um caso concreto. E isso quase contrapõe o enfoque durkheimiano (estatístico- comparativo, frio, asséptico) ao marxista sobre o suicídio. Quase.
* o obituário é uma tradicional seção do jornal que noticia as mortes recentes. Constituiu-se como gênero, podendo ser mais sintético ou mais biográfico. O suicídio é a notícia tabu. Porém, quando se trata de um grande vulto, cuja repercussão do suicídio é incontrolável, a notícia vai para as seções de destaque. Vargas, Gitz. Mas e se o tabu permanecesse intocado lá onde o fato parece estar mais exposto? Por isso quisemos tocá-lo no seu próprio e frágil sacrário, o obituário.